monica torres lopes sanches - nica.torres@terra.com.brVocê pode até ficar tocado depois de ler o que a Mônica disse, mas parando pra analisar direito ..
28/4/2005 - Levei até o fim a gestação de minha nenem Giovanna que tinha anencefalia.
Ela nasceu dia 25/03/05 e ainda tenho nos meus ouvidos o chorinho dela ao nascer como se me pedisse proteção.
Curtimos,protegemos e demos carinho o quanto de tempo tivemos com ela.Quanto ao que o Ministro Ayres Britto disse,respondo-lhe que embora minha filha não tenha tido quarto,berço e nem brinquedo,ela teve muito amor.
Na UTI lhe fiz carinho e conversei com ela.Neste momento para surpresa até das enfermeiras, seus batimentos cardíacos que estavam baixos subiram e se estabilizaram provando que ela me reconheceu.
Esta foi a prova de que ela é gente como qualquer outro bebê e só nos trouxe alegrias.
Ao invés do remorso por tê-la matado, preferimos ficar com a saudade de sua presença rápida (seis horas e quarenta e cinco minutos) mas intensa.
Não teria sido egoísmo ?
Eu sou a favor do aborto de feto sem cérebro, afinal ... não existe uma vida sem esta parte essencial do corpo ...
Nenhuma lei devería se meter nisso, quem decide é a mãe !
E se ela decide levar a gravidez até o fim .. é o que acontece, segundo o relato da Monica.
Depois de algumas horas o bebê morre.
Com qual culpa você viveria melhor ?
A de ter abortado ou a de ter trazido uma vida curta e com sofrimento ?
Um comentário:
Olá Mitcha!
Que surpresa depois de tantos anos, me ver no seu blog.
Sou a própria citada acima. E acho que não devemos opinar sobre o que não conhecemos. Para conheceres um pouco mais sobre o assunto, criamos um site que explica, entre outras coisas, que anencefalia não é ausência de cérebro www.anencefalia.com.br. Embora realmente na maioria dos casos dê uma sobrevida de horas, há alguns casos em que esses bebês vivem e interagem com seus pais por dias, meses e até mais de um ano. Na anencefalia, há ausência da calota craniana na qual PARTE do encéfalo (somente a superior e não a média e posterior) se degrada devido à exposição no líquido amniótico. Com isso,minha filha chorou ao nascer, respirou sem ajuda de aparelhos e seu coração bateu apressadamente pelas quase sete horas em que esteve conosco. Sabe, Fernando Pessoa disse certa vez que "o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem”. Imagino que ainda não eras mãe quando escreveu este comentário. Pois uma mãe, mãe mesmo, não desiste de um filho doente por só ter 6 meses de vida. Pelo contrário, essa mãe quer estar ao seu lado e protegê-lo ao máximo. E foi por isso que meu sofrimento não foi em nenhum momento maior que a alegria de ter feito o que podia por ela. Giovanna partiu sem sofrimento. Somente parou de respirar.
Não acontece somente na anencefalia, existem outros contratempos que causam também uma sobrevida pequena. Problemas cardíacos, ausência de rins, e outros. E aí, elimina também? E as Síndromes de Down, de Edward e tantas outras, elimina? Costumo dizer que quem não está pronta para sofrer, não está pronta para ser mãe. A maternidade envolve muito mais que os beijinhos que recebemos nas festas da escola, na hora que acordam, etc. Definitivamente, família não é propaganda de margarina. O que fazer com um filho que resolve ser marginal, elimina para não sofrermos? E um acidente de automóvel que o deixe em estado vegetativo, abandona-se para não sofrermos? A vida é muito mais complexa que as baladas de sábado à noite e os sofrimentos, também são bem vindos para nos humanizar, são aprendizados. Sofri com a morte da Giovanna como se sofre na morte de pai e mãe, mas agindo assim foi mais fácil recomeçar que para quem mata seu filho por puro egoísmo. Levantei a cabeça.tive outra filha que hoje sabe que não desistiria dela acontecesse o que acontecesse. Sou muuuito feliz e hoje ajudo através do site, outras mulheres a olhar a anencefalia por um lado mais humano. E olha que ninguém que levou até o fim se arrependeu. Por que será! Ah, sempre o amor..
Monica Torres
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